31 outubro 2005

 

Segredo

SEGREDO

A poesia é incomunicável.
Fique torto no seu canto.
Não ame.

Ouço dizer que há tiroteio
ao alcance do nosso corpo.
É a revolução? o amor?
Não diga nada.

Tudo é possível, só eu impossível.
O mar transborda de peixes.
Há homens que andam no mar
como se andassem na rua.
Não conte.

Suponha que um anjo de fogo
varresse a face da terra
e os homens sacrificados
pedissem perdão.
Não peça.

Carlos Drummond de Andrade

30 outubro 2005

 

O teu riso

O teu riso

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansado
sàs vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Pablo Neruda

29 outubro 2005

 

Sem você

Hj à tarde fui para o Show Room dos Estojos de Natal da Natura, nossa!! Tem cada um mais lindo que o outro...eu gostei de dois da linha Ekos, o dos sabonetes (eles vem em miniatura!) e o de maracujá. Aqui está o link, dê uma olhada e se quiser algo me liga, certo? (83) 8801-7221: http://www2.natura.net/Web/Br/ForYou/HotSites/Natal/2005/CN/src/index.asp?regiao=7.
Mudando de assunto. Hum...Você gosta de Adriana Calcanhoto? Eu simplesmente a-do-ro!! Sei que essa música não é dela, mas ela tem uma leitura ótima! Já ouviu? Senão você não sabe o que está perdendo...Sim! Creio que a autoria seja de Cacá Moraes / Abdullah. Confira!


Avião sem asa
Fogueira sem brasa
Sou eu assim sem você
Futebol sem bola
Piu-piu sem Frajola
Sou eu assim sem você

Porque que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero todo instante
Nem mil auto-falantes
Vão poder falar por mim

Amor sem beijinhoBuchecha sem Claudinho
Sou eu assim sem você
Circo sem palhaço
Namoro sem abraço
Sou eu assim sem você

Tô louca pra te ver chegar
Tô louca pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço
Retomar o pedaço
Que falta no meu coração

Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Por quê? Por quê?

Neném sem chupeta
Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem estrada
Queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você

Porque que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil auto-falantes
Vão poder falar por mim

Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo


28 outubro 2005

 

Inclusão Social

Cenário: "Pai trabalhador e filho estudante dentro do carro, a caminho da escola."
Filho: - Pai, já que roubaram o som do carro vamos conversar um pouco?
Pai: - Claro, filho!
Filho: - Pai, o que é inclusão social?
Pai: - Bom, filho, é que muitas pessoas têm muito e outras nada têm, a inclusão consiste em dar direitos iguais a todos.
Filho: - Ah, tá!; os integrantes do MST são um exemplo de excluídos né?
Pai: - Isso, filho.
Filho: - Pai, o que eu devo ser quando crescer?
Pai: - Bom, primeiro escolha uma profissão que você goste, depois estude muito, mas muito mesmo e depois trabalhe muito mais, dia e noite, só assim você será alguém na vida. (atrasados para a escola, o pai pára sobre a faixa de pedestres e é multado, além de ser maltratado pelo policial)
Filho: - Pai, o que houve?
Pai: - Fomos multados, filho.
Filho: - Mas por que?
Pai: - Porque estávamos bloqueando a passagem filho. (um pouco adiante o trânsito pára; a marcha do MST está passando)
Filho: - Pai, por que eles estão bloqueando nosso caminho?
Pai: - É a marcha do MST, filho.
Filho: - Ah tá, e aqueles policiais estão multando eles, né?
Pai: - Não, filho, estão escoltando eles.
Filho: - Ué, mas nós estávamos bloqueando a passagem e fomos multados e maltratados, e eles estão bloqueando tudo e são escoltados?Pai: (silêncio)Filho: - E o que é aquilo ali?
Pai: - É o refeitório deles.
Filho: - Ah, sei, lá eles gastam aqueles vales-refeição igual ao seu, que apessoa ganha da empresa na qual trabalha.
Pai: - Não, filho, o governo paga a alimentação pra eles.
Filho: - Ué, e por que não paga pra você também?
Pai: (silêncio)
Filho: - E aquela ambulância lá? Ah, já sei! é por causa do plano de saúde que eles pagam, né? como você, paga pra poder ter assistência médica, né?
Pai: - Não, filho, eles não pagam plano de saúde.
Filho: - Ué, não entendi.
Pai: - É o governo que está pagando essas ambulâncias que você está vendo.
Filho: - E por que você paga plano de saúde então?
Pai: (silêncio)
Filho: - Por que a maioria deles está com rádio?
Pai: - Porque o governo doou 10.000 radinhos pra eles se comunicarem.
Filho: - Pôo! e a gente sem som no carro, e você fala que precisa trabalhar pra comprar outro; vamos pedir pro governo então.
Pai: - Eles não nos dariam, filho.
Filho: - Ah, já sei. Você reclama que paga 40% de tudo que ganha pro governo, mas com certeza eles pagam muito mais né? Eles têm todas essas regalias.
Pai: - Não, filho, eles não pagam nada.
Filho: - Como assim?
Pai: (pensativo, em silêncio).
Filho: - Pai, quero parar pra falar com eles.
Pai: - Não adianta, filho, eles só falam através de assessor de imprensa.
Filho: - Que legal! vamos contratar um assessor de imprensa pra nós, pai?
Pai: - Filho, isso é muito caro, eu precisaria trabalhar o triplo do que trabalho pra poder pagar um assessor de imprensa.
Filho: - Mas eles nem trabalham e têm?
Pai: - Mas é o governo que paga filho.
Filho: - Pai, não foram eles que invadiram um prédio público e fizeram a maior bagunça?
Pai: - Foram sim, filho.
Filho: - E o que aconteceu com eles?
Pai: - Nada, filho.
Filho: - E por que eu fiquei de castigo e levei uma baita bronca porque quebrei a lâmpada do poste jogando bola.
Pai: - Porque você tem que cuidar e respeitar o patrimônio público, filho.
Filho: - E eles não precisam?
Pai: (silêncio)
Filho: - Pai! vamos com eles?
Pai: - Claro que não, filho, você precisa estudar e eu preciso trabalhar.
Filho: - O QUE? PODE PARAR! EU VOU COM ELES, APRENDI QUE OS EXCLUÍDOS SOMOS NÓS; EU QUERO A MINHA INCLUSÃO SOCIAL JÁ!!!

26 outubro 2005

 

Lujinha do Assaf

Um cara engravatado entra na lojinha do Assaf, na Rua 25 de Março, e olha com desprezo para o balcão escuro, as roupas penduradas em ganchos e o chão de tacos de madeira sem polimento.
O Assaf se irrita com o desprezo do sujeito e resmunga :
- Está olhando feio bra lujinha de Assaf ? Fica você sabendo que com este lujinha feia desse jeito, Assaf tem apartamento no Ibanema, tem casa no Búzios, tem casa no Campos da Jordão, tem casa no Riviera do Zão Lorenço, tem apartamento no Beirute, tem filho estuda medicina na Estados Unidos, tem filha estuda moda Paris, tudoisso só com essa lujinha feia que você olha com desprezo!
O sujeito vira e diz : - O senhor sabe quem eu sou ? Eu sou fiscal do Imposto de Renda!
- Muito brazer ! Eu Assaf, maior filho de puta mentiroso de Rua 25 de > Março!

22 outubro 2005

 

Desarmamento


DESARMAMENTO - DR. IÇAMI TIBA

Sou Tiba, psiquiatra, psicodramatista e educador.
Mais do que com armas, é com conhecimento que se pode fazer uma reviravolta neste país,que sobrevive, apesar da falta de ética de parte grande dos nossos governantes.
Não é possível que o povo brasileiro seja mobilizado a ir às urnas neste plebiscito - cujo sentido é ainda discutível - num momento político de comprovados e vergonhosos "mensalões" e mensalinhos", demonstrativos de que boa parte dos políticos brasileiros visam mais o seu próprio bem do que o cumprimento com honra, ética e sensatez, dos cargos para os quais foram eleitos.
Me revolta um governo que promove um plebiscito, fingindo querer ouvir o povo, mas com uma pergunta capciosa.
Por que não perguntar se o brasileiro gostaria de ver sua mulher e filhos estuprados e sua casa arrebentada porque os "maus elementos" estavam armados e ele desarmado?
Qual a diferença que existe entre tais "maus elementos" que nos assaltam, armados com armas de fogo, e outros que tendo o poder nas mãos, nos assaltam com uma caneta, nos tirando quase três meses de cada ano trabalhado para lhes sustentar, enquanto a nossa família praticamente passa fome?
O mau está no espírito das pessoas e não nos que elas têm nas mãos.

Morre-se, também, em números assustadores, em acidentes de automóvel.

Não seria o caso também de se fazer um plebiscito para proibição da venda de carros e combustíveis? Tudo dependeria de como se direciona a pergunta à população:

Você é contra as pessoas continuarem morrendo ou matando por atropelamentos e acidentes de automóvel ?

Então vote a favor da proibição da comercialização de carros e combustíveis.O que me deixa indignado neste país é a absoluta de falta de transparência das autoridades.

Manobras e campanhas são realizadas para ocultar a falta de ética de nossos governantes e nenhum país sobrevive à falta de ética, com ou sem arma de fogo...
Me preocupa, ainda, saber quem será o grande beneficiário de mais este gasto com este plebiscito.
Muito mais útil e correto seria utilizar esta importante verba para a educação.
Dos grandes problemas deste país não destacamos somente a falta de estudos, cultura e educação, mas também o mal uso econômico e ético que as elites políticas fazem deste povo.

O povo brasileiro tem bom coração. É um povo tão carente, necessitado e crédulo que bastam algumas palavras bem ditas, que mexam com a sua emoção, basta que recebam chaveirinhos, camisetas e bonés, que dentro do contexto de falta de consciência política que impera, seja facilmente manipulado, em detrimento de sua própria dignidade e condição de vida.
O governo, através de uma inteligente manobra de massas, mais uma vez vende ao povo a idéia que são as armas de fogo as culpadas pela violência e, numa eficiente estratégia de marketing, "mata dois coelhos com uma cajadada só":

a) demonstra estar adotando providências contra a criminalidade;
b) esconde sua ineficiência e incapacidade de lidar com a situação da violência desmedida que se encontra nosso país;Mais que isso, o governo afasta de si a responsabilidade e a transfere ao povo, através de uma pergunta simpática à primeira vista, e pela qual já vem fazendo uma campanha oculta há muitotempo.

Assim, no futuro, quando a violência e criminalidade não diminuírem, sempre restará a resposta da elite política de que a vontade do povo foi cumprida...Mais uma vez, com a experiência de educador que tenho, reforço:

Não são esses tipos de medidas populistas que farão efeito.
Somente os livros, a educação longo prazo, e a ética - palavra em falta no vocabulário de nossos políticos - é que poderão mudar esse Brasil.
Içami Tiba

21 outubro 2005

 

Referendo

Recebi esse texto que achei interessante!!
Antes, eu tinha certeza de que ia votar no NÃO e ninguém ia me convencer do contrário. Mas o tempo foi passando, entrei nas comunidades do SIM e do NAO no orkut, ouvi propagandas no rádio e na TV e os argumentos do SIM me convenceram. Vou votar SIM. Sabe por que?
Vou dar 20 motivos:
1. Descobri que a arma legal alimenta os bandidos. Todas aquelas AR-15, AK-47, granadas e bazucas que os traficantes do Rio usam foram roubadas de cidadãos honestos que compraram as armas legalmente. Da minha casa mesmo, por exemplo. Ano passado me roubaram quatro mísseis stinger
2. Descobri que todos os pais que têm armas de fogo costumam deixá-las carregadas e engatilhadas em cima do sofá da sala. Por isso que 94 milhões de crianças brasileiras morrem brincando com armas de fogo todos os anos.
3. Descobri que todos os assaltantes de casa têm superpoderes. Eles atravessam portas e paredes e se materializam imediatamente na sua frente e apontam uma arma para a sua cabeça enquanto você ainda está deitado, tornando impossível qualquer reação. Eles não perdem tempo e não fazem barulho arrombando portas.
4. Descobri que se eu vir ou ouvir algum bandido pulando a cerca e entrando no meu quintal, eu não vou conseguir afugentá-lo com um tiro para cima ou para o chão. Se ele ouvir o tiro, aí sim, é que ele vai ficar excitado e vai querer de toda forma entrar em casa e trocar tiros comigos. Eles adoram fazer isso.
5. Descobri que os 570 milhões de reais investidos para realizar o referendo foram muito bem empregados. Afinal, porque que a gente vai gastar com segurança, quando se pode gastar num referendo? E dizendo SIM eles, nossos governantes, vão ver o quanto a gente adorou ter esse privilégio de exercer nosso direito como cidadão de decidir os rumos do nosso Brasil!
6. Descobri que se o NAO ganhar, as armas de fogo vão imediatamente ficar 90% mais baratas e vai acabar a burocracia para a compra de uma. No dia seguinta à vitória do NÃO, qualquer pessoa (bandido ou não) vaipoder ir numa loja de armas, comprar um 44 e oito caixas de munição, já vai sair armado e vai para o bar mais próximo para arrumar briga e me matar.
7. Descobri que delegados e policiais civis militares e federais - que são em quase totalidade favoráveis ao NAO - não entendem N-A-D-A de violência e criminalidade. Quem manja mesmo do assunto são atores, sociólogos e dirigentes de ONGs internacionais.
8. Descobri que estrangeiros que lideram ONGs como a Viva-Rio têm muita experiência no assunto. Afinal, todo mundo sabe que a situação social, econômica e de criminalidade da França, Inglaterra e Estados Unidos (que é de onde eles vêm) é IGUALZINHA à realidade do Brasil. Não tenho a menor dúvida de que as teorias que eles têm vão funcionar direitinho aqui.
9. Descobri que o governo quer que a gente vote sim. E o governo sempre pensa no nosso bem. Afinal, todo mundo sabe que a qualidade da saúde pública, ensino público, segurança pública, e etc vem melhorando cada vez mais, dia a dia.
10. Descobri que todos os cidadãos de bem assim que acabarem suas munições vão manter suas armas eternamente sem munição, até se deteriorarem, ninguém vai buscar bala no mercado negro (até porque a violência vai diminuir um bocado), e assim não corre o risco do mercado negro se fortalecer.
11. Descobri que se o SIM ganhar, não vão mais acontecer mortes banais. Maridos ciumentos só vão agredir as mulheres com travesseiros, torcidas organizadas vão se dar as mãos, facas e canivetes vão perder o fio, tijolos e paus vão ficar macios e os pitboys vão todos se converter ao budismo.
12. Descobri que essa história dos crimes por armas de fogo ter aumentado 500% na Inglaterra nos 6 anos após o desarmamento por lá foi uma coisa super normal, afinal, a população tá se expandindo, né? É normal que haja um aumento.
13. Descobri que o jovem é a principal vítima da arma de fogo. Claro que isso não tem nada a ver com o fato de o jovem ser o maior usuário de drogas, e nem o fato de que quase 100% dos envolvidos no tráfico de drogas têm menos de 30 anos (porque morrem ou são presos antes). Isso é só coincidência.
14. Descobri que quem mora em fazendas, isolado de todos, no meio do mato, não precisa de armas. No meio da natureza rola uma 'vibe' muito forte, as energias positivas das árvores e das flores protegem eles.
15. Descobri que no Texas - onde há quase uma arma por habitante - reduziu para quase a metade o índice de crimes violentos nos últimos dez anos. Mas isso é porque nesses dez anos, o pessoal parou de comercarne vermelha e começou a ouvir mais Bob Marley.
16. Descobri que todo mundo que tem arma de fogo é um suicida em potencial. E a única causa do suicídio é a arma de fogo, e não a falta de perspectivas, falta de um ideal, falta de um sonho a buscar ou então distúrbios mentais como a depressão.
17. Descobri que se algum bandido invadir a minha casa, basta eu ligar para o 190. A polícia sempre tem homens e viaturas sobrando e levará menos de 3 minutos para me atender.

18. Caso isso não aconteça, basta eu fazer o sinalzinho do "sou da paz" com as mãos e o ladrão vai saber que eu sou um sujeito legal, e então ele vai embora em paz sem levar nada e sem violência nenhuma. Eles sempre agem assim quando descobrem que você é da paz, e não um daqueles psicopatas malvados que são a favor do NÃO.
19. Caso o ladrão seja muito, mas muito malvadão, eu só preciso gritar por socorro. Em cinco segundos vão aparecer a Fernanda Montenegro, a Maitê Proença e o Felipe Dylon para me salvar e prender o bandido. Sem usar armas. Êêêêêêêêêêê!!!
20. Se o SIM ganhar, o Brasil vai ser um país mais feliz. Que nem na novela! Obaaaaaaa!

19 outubro 2005

 

Clarice Lispector

"Meu tema é o instante? Meu tema de vida. Procuro estar a par dele, divido-me milhares de vezes, em tantas vezes quanto os instantes que decorrem, fragmentária que sou e precários os momentos – só me comprometo com a vida que nasça com o tempo e com ele cresça: só no tempo há espaço para mim."
LISPECTOR, Clarice. Água Viva. 2.ª edição. Artenova: Rio, 1973. p.11

16 outubro 2005

 

Dodoi

Eita! Meu sumiço têm sido grande, mas é porque estou dodoi... (a manha também é grande!!ehehehhe). Não tenha duvida uma das melhores coidas a se fazer quando se está dodoi é manha e receber um colinho...hum!!

Algumas ocasiões nos deixam nostálgicos, nos fazem lembrar de fatos esquecidos que surgem na memória...Essa semana aconteceu algo parecido comigo: sempre deixo canetas aqui em casa, sobretudo, na sala, ao lado do telefone. Pois quando eu precisei não encontrei nenhumazinha, pode?? Achei um lápis grafite com aquela borracha branca na ponta.

Esse fato me lembrou um texto de um escritor que aprecio muito, chama-se Mário Prata. Ele foi publicado no Jornal O Estado de S. Paulo ano passado como também no site dele: http://www.marioprataonline.com.br/


O Lápis
Sem eletricidade pela manhã e precisando escrever um texto, procurei as canetas. Secas, falhando ou soltando tinta demais, sabe como é? E ali estava um lápis que eu não tenho a menor idéia de como surgiu e há quanto tempo. A ponta apontada.

Comecei a escrever com o lápis. Algumas coisas começaram a acontecer na minha memória e no meu coração. Voltei correndo para o Grupo Escolar D. Henrique Gelain (emérito bispo da diocese de Lins) e comecei a recordar das primeiras letras, ditadas pela dona Gessy Beozzo, no caderno de caligrafia. Senti que a minha mão ainda fluia bem com o lápis. Além de tudo, é higiênico.

Só que a ponta acaba. E foi com uma afiada faca de churrasco que fiz o serviço. Que prazer, gente, fazer a ponta de um lápis. Fiz devagarzinho para não desperdiçar a emoção da minha volta ao passado.

E me lembrei que todos nós começamos a escrever com ele. Mas, ainda com sete anos, o sonho era começar a usar a caneta tinteiro e o mata-borrão. Mas isso era coisa para o pessoal mais velho, do segundo ano, na classe da dona Clara. A caneta era com pena que a gente mergulhava no tinteiro. Voltava imundo para casa. Aí o sonho era a caneta Parker (que eu um dia escrevi aqui Park) que já vinha com tinta que a gente carregava em casa, num mecanismo avançadíssimo.

Depois o sonho foi a Lettera 22, depois a IBM de bolinha (dava para apagar os últimos dígitos errados) e depois veio o computador e agora o sonho é um Pentium 5. E o lápis ficou lá atrás. Só que ele não seca, não acaba e não suja.

Aí me lembrei que existiam uns lápis que tinham uma borrachinha na outra ponta. Para apagar erros. Não resisti, sai e comprei. Não um, mas vários. E, é claro, um apontador. Não aqueles modernos com manivela, de mesa, mas daqueles pequenininhos, que hoje são de plástico transparente. Na minha época não existia plástico. Eles eram de madeira mesmo. Aproveitei e comprei uma caixa de lápis colorida. Trinta e duas cores. Uma lata bonita.

Aí, não tendo mais o que inventar para brincar, resolvi escrever um texto com letra de forma (porque se chama de forma?), escanear e ver se o computador reconhecia o meu texto. Não. Não por culpa dele, mas pela minha letra mesmo que, nestas últimas décadas, dado ao desuso, não apenas o computador não reconhece. Afinal, hoje em dia, além de preencher cheques, para que serve escrever à mão? Como para que serve saber somar ou subtrair se as maquininhas estão aí? Para que serve o curso primário?

É aqui que eu queria chegar. Não adianta o governo testar alunos e professores e universidades. Vai dar sempre zebra. O buraco é bem mais embaixo senhor Ministro da Educação. Vamos voltar ao lápis e ao dois mais dois. Vamos começar pela base. Vamos escrever a lápis. Mesmo porque, se não der certo, a gente apaga e começa de novo.

09 outubro 2005

 

Suspensão

Esse poema é do mestre Vinicius de Moraes

Suspensão
FORA DE MIM, fora de nós, no espaço, no vago
A música dolente de uma valsa
Em mim, profundamente em mim
A música dolente do teu corpo
E em tudo, vivendo o momento de todas as coisas
A música da noite iluminada.
O ritmo do teu corpo no meu corpo...
O giro suave da valsa longínqua, da valsa suspensa...
Meu peito vivendo teu peito
Meus olhos bebendo teus olhos, bebendo teu rosto...
E a vontade de chorar que vinha de todas as coisas.
MORAES, Vinicius de. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro. Aguilar, 1986. p.76

08 outubro 2005

 

O homem


"O homem é um produto do meio. O meio é um produto do homem. O produto é um homem do meio."
Millôr Fernandes. Livro Vermelho dos Pensamentos de Millôr

03 outubro 2005

 

Encontro

Gente, eu recebi esse poema de um amigo. Gostei muito, não sabia que ele é um poeta. Parabéns! Continue com os versinhos, você leva jeito!!
Encontro
A gente se encontra e
Acontece tudo como vício,
Num único piscar de olhos
o tempo passa...
E não deixa marcas quando sendo olhos,
Mas deixa sendo vício
E não revira a mente
O próprio vício,
Mas saudades deixa
No choro dos olhos quando piscam.

Luciênio Teixeira

Realmente, os encontros acontecem um piscar de olhos, sobretudo, se gostamos da pessoa. Parecee que as horas voam...Os melhores encontros nos trazem um gostinho de "quero mais", e equivalem a um vício, já que nossa mente sempre quer. Depois os bons momentos vem aquela saudade, a vontade de encontrar a pessoa novamente e, as vezes essa vontade chega ao pranto.

 

Nem um dia

Essa música de Djavan é simplesmente tudo! Preste atenção na letra que seus dias não serão os mesmos...
Nem um dia
Um dia frio
Um bom lugar prá ler um livro
E o pensamento lá em você
Eu sem você não vivo
Um dia triste
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você
E tudo me divide
Um dia frio
Um bom lugar prá ler um livro
E o pensamento lá em você
Eu sem você não vivo
Um dia triste
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você
E tudo me divide
Longe da felicidade e todas as suas luzes
Te desejo como ao ar
Mais que tudo
És manhã na natureza das flores
Mesmo por toda riqueza dos sheiks árabes
Não te esquecerei um dia
Nem um dia
Espero com a força do pensamento
Recriar a luz que me trará você
E tudo nascerá mais belo
O verde faz do azul com o amarelo
O elo com todas as cores
Pra enfeitar amores gris

02 outubro 2005

 

Fernando Fessoa

Fazia certo tempo que não lia Pessoa. Nossa! Eu simplesmente a-do-ro as! poesias dele, a maneira como o "eu" lança mão da heteroníma, é fantástica. Compartilho o poema chamado: Poema em linha reta, retirado de http://www.releituras.com

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Os versos acima, escritos com o heterônimo de Álvaro de Campos, foram extraídos do livro "Fernando Pessoa - Obra Poética", Cia. José Aguilar Editora - Rio de Janeiro, 1972, pág. 418

 

Domingo especial

Hoje foi um domingo especial. Acordei tarde (para variar) e, fiquei esperando minha avózinha que vinha fazer o almoço! Eita, eu gosto do tempero dela. Confesso que não gosto de algumas coisinhas, mas a vida é assim...

Fiquei pensando nela e quanto eles chegaram eu nem vi tava viajando...Eles, porque veio todo mundo de lá! Vovó, titia, Mala, Lú e minha sobrinha Sofia (ela é a minha única sobrinha!)...Nossa como essa pequena está danadinha! Crescendo, aprontando e pelo visto vai ficar muito temperamental! Ela nem fala, mas já tem vontades, pode?

Depois do almoço eu fiquei um pouco com a nenê enquanto as meninas estavam na cozinha...A gente riu tanto na rede :) ela ficou me mostrando a língua, por causa das brincadeiras que eu fazia. Essa fase é ótima! Agora ela não está mais mamando e come de tudo, e tudo mesmo!

A coitadinha brincou que cansou e titia a colocou para dormir....Bons sonhos memininha! Aproveita bem a vida porque ela passa correndo.

01 outubro 2005

 

Piada de Lula

Essa piada tem tudo haver com a atual conjuntura do nosso país...A gente tem que se divertir um pouco, afinal de contas quem imaginou que o governo do PT faria melhor, hein? Eu pensei! Mas, apesar disso, ainda estamos numa democracia, podemos (e devemos!) escolher melhor nossos governantes, não é?

Um dia Lula morreu ...Houve uma reunião em Brasília para decidir onde ele seria enterrado.Um ministro sugeriu:
- Deve ser enterrado em Guaranhuns. Afinal, é sua cidade natal.
Então, um bêbado, que não se sabe como entrou na reunião, disse comaquela entonação típica dos bebuns:
- Em Guaranhus pode... Só não pode em Jerusalém!!!
Como estava de fogo, ninguém deu bola para o que ele disse.Um segundo ministro disse
- Acho que deve ser em São Bernardo, onde ele viveu e fez sua carreirasindical e política. O bêbado mais uma vez interveio:
- Em São Bernardo pode... Só não pode em Jerusalém!!!
Novamente, ninguém deu ouvidos a ele.Um terceiro ministro finalmente sugeriu:
- Nem em Guaranhuns. Nem em São Bernardo. Deve ser enterrado emBrasília, pois era Presidente da Republica e todos os presidentes devemser enterrados na Capital Federal.E o bêbado novamente:
- Em Brasília pode... Só não pode em Jerusalém!!!
Aí, perderam a paciência com o cara:
- Por que esse medo que o Lula seja enterrado em Jerusalém?
E o bêbado respondeu:
- Porque uma vez enterraram um cara lá, e ele RESSUSCITOU !

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