25 setembro 2005

 

Florbela Espanca

Sempre que posso, leio alguns poemas de Florbela Espanca. Ela é uma poeta pouco conhecida, talvez por se tratar de uma portuguesa. Gosto, especialmente deste poema:

VULCÕES

Tudo é frio e gelado. O gume dum punhal

Não tem a lividez sinistra da montanha

Quando a noite a inunda dum manto sem igual

De neve branca e fria onde o luar se banha.



No entanto que fogo, que lavas, a montanha

Oculta no seu seio de lividez fatal

Tudo é quente lá dentro... e que paixão tamanha

A fria neve envolve em seu vestido ideal!



No gelo da indiferença ocultam-se as paixões

Como no gelo frio do cume da montanha

Se oculta a lava quente do seio dos vulcões...



Assim quando eu te falo alegre, friamente,

Sem um tremor de voz, mal sabes tu que estranha

Paixão palpita e ruge em mim doida e fremente!

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